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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Desenconto

"Eu nunca havia ido a um lugar como aquele antes. Uma voz me perguntou friamente 'o que uma garota como você faz em um lugar como esse?'. Eu não soube responder.
Dei-me conta que nunca havia comido carne de verdade na vida, apenas havia sentido seu gosto através de imitações baratas de sabor, mas nunca havia de fato mordido um pedaço com meus dentes. Dessa vez eu estava disposta a isso.
Ele foi rápido, e logo pediu duas porções para dividirmos. Ambos devoramos ferozmente aqueles pratos, nos deliciando com cada segundo daquilo. No começo eu estava com medo e apenas o assisti engolir os pedaços quase inteiros, depois vi que não havia o que ter medo, e me juntei ao banquete.
Ao fim de tudo, eu queria mais, mas ele estava satisfeito, dizia que seu estômago já havia sido totalmente preenchido. Foi então que eu percebi que isso nunca fora um prazer pra ele, era apenas uma necessidade de aplacar sua fome e seus instintos básicos. O gosto saboroso da carne havia me iludido a pensar que nossos estômagos permaneceriam vazios para sempre podermos pedir mais e mais carne.
Olhei para o prato e percebi o que havíamos devorado. Coração e asas."

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